Enquanto boa parte do debate sobre carbono ainda gira em torno de conceitos, o mercado brasileiro está se movendo rápido. Neste mês, o governo federal colocou em consulta pública a resolução que vai regulamentar a exportação de créditos via ITMOs: os Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris. A proposta define um teto de 50 milhões de toneladas de CO₂e que poderão ser vendidas a outros países entre 2031 e 2035, com limite de 50% dos créditos por projeto, e recebeu contribuições até o início de agosto.
A reação do setor foi imediata e revela onde está a pressão. Empresas criticaram o prazo de 2031, comparando com o Paraguai, que pretende comercializar 20 milhões de toneladas por ano já a partir de 2027, o que deixaria os projetos brasileiros cinco anos fora do mercado. O governo respondeu tentando acalmar os ânimos: segundo Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, créditos para exportação poderão ter contratos de venda antecipada já em 2027, e a pasta avalia reduzir essa lacuna em quatro anos. O Brasil já assinou memorandos de entendimento com Singapura e Suíça, e agora mira a China.
Por que a pressa? Uma palavra: CORSIA. A segunda fase do programa de descarbonização da aviação global começa em 2027 e tende a ampliar a demanda por créditos de carbono de alta integridade ambiental. É uma janela de compra com data marcada que o Brasil corre o risco de perder para concorrentes mais ágeis. E o prêmio é grande: só o agronegócio brasileiro tem potencial para gerar até 314,3 milhões de créditos até 2035, movimentando até R$ 3,5 bilhões no mercado internacional.
Vender um ITMO não é transferir um número numa planilha. Cada crédito exportado exige uma carta de autorização do governo, não pode contar para a meta climática brasileira e ao mesmo tempo precisa contar para a do comprador (sem dupla contagem), e tem de sobreviver ao escrutínio de compradores internacionais que só aceitam créditos de alta integridade. Não por acaso, a robustez do MRV e a estruturação das cartas de autorização para evitar dupla contagem aparecem como exigências centrais da regulamentação. Na prática, o mercado só funciona se cada tonelada for rastreável, verificável e auditável até a origem.
E esse é exatamente o problema que a Ecossis resolve. Toda a nossa infraestrutura parte de uma premissa simples: a integridade de um crédito de carbono começa no dado que o origina, não no certificado que o encerra. Medição rastreável na fonte, MRV digital, registros imutáveis e certificados auditáveis, tudo para que uma tonelada declarada seja, comprovadamente, uma tonelada real. Quando um comprador em Genebra, em Singapura ou uma companhia aérea sob as regras do CORSIA exige garantia de que aquele crédito existe e não foi vendido duas vezes, o que ele está pedindo é precisamente a camada de confiança.
O recado para quem desenvolve projetos de carbono no Brasil é direto: nos próximos anos, o diferencial competitivo não será apenas gerar créditos, mas provar sua integridade a um mercado internacional exigente e regulado. Preço, prazo e volume importam, mas nada disso se sustenta sem confiança no dado. É essa infraestrutura que separa quem vai capturar a janela de 2027 de quem vai assistir a ela passar.
A Ecossis está construindo essa ponte entre o potencial ambiental brasileiro e a exigência do mercado global. Se você desenvolve projetos de carbono e quer garantir integridade rastreável de ponta a ponta, fale com a gente.