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Superando desafios de infraestrutura climática e ambiental com tecnologia

Quando se fala em tecnologia para o clima, o foco costuma recair sobre sensores, algoritmos e blockchain. Mas existe uma camada menos visível e igualmente crítica: a infraestrutura física que faz tudo isso funcionar. Data centers, redes de conectividade, fornecimento de energia, capacidade de processamento. Sem essa base, as soluções mais sofisticadas não saem do papel. 

Nesse sentido, podemos começar pelo começo: data centers e como eles são, hoje, o coração da economia digital (e um de seus maiores consumidores de energia). Globalmente, essas instalações respondem por cerca de 1% a 1,5% do consumo elétrico mundial, com tendência de crescimento acelerado à medida que demandas por inteligência artificial e processamento de dados aumentam. Para quem trabalha com tecnologia climática, isso cria um paradoxo: as ferramentas que prometem ajudar o meio ambiente dependem de infraestruturas que pressionam o próprio meio ambiente. 

A resposta não é abandonar a digitalização, mas exigir que ela seja feita de forma responsável. Data centers alimentados por fontes renováveis, sistemas de refrigeração eficientes, localização estratégica em regiões com matriz energética limpa. O Brasil, com sua predominância hidrelétrica e potencial solar e eólico, tem vantagens competitivas que ainda são subaproveitadas. 

Nas pontas, a conectividade se destaca: monitorar a Amazônia, o Cerrado ou o Pantanal exige mais do que satélites. Exige conectividade no solo, com redes que permitam transmitir dados de sensores instalados em áreas remotas. Essa é uma das maiores lacunas da infraestrutura brasileira. Comunidades inteiras permanecem desconectadas, e com elas, os ecossistemas ao redor. 

Iniciativas de conectividade rural e projetos de expansão de fibra óptica e redes móveis começam a preencher essa lacuna, mas o ritmo ainda é lento. Para que o monitoramento ambiental funcione em escala, é preciso tratar conectividade como infraestrutura básica, tão essencial quanto estradas ou energia elétrica. 

Além da conectividade e do armazenamento dos dados, o processamento de grandes volumes de dados ambientais — imagens de satélite, séries históricas de sensores, modelos climáticos — exige capacidade computacional significativa. Hoje, boa parte desse processamento acontece em data centers fora do país, levantando questões sobre soberania de dados e dependência de infraestrutura estrangeira. 

O fortalecimento de centros de processamento nacionais, vinculados a universidades, institutos de pesquisa e redes como a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), é parte da resposta. Manter dados ambientais brasileiros em infraestrutura brasileira não é apenas uma questão técnica, mas uma questão estratégica. 

Toda essa infraestrutura consome energia. E a coerência exige que a energia consumida seja, ela própria, parte da solução climática. Data centers movidos a diesel ou carvão minam a credibilidade de qualquer projeto ambiental que rodem. A integração entre infraestrutura digital e matriz energética limpa precisa ser planejada desde o início, não tratada como detalhe posterior. 

Por fim, o debate sobre tecnologia climática muitas vezes ignora que inovação depende de base física. Não basta desenvolver o melhor algoritmo de monitoramento se não há rede para transmitir os dados, nem energia limpa para alimentar os servidores, nem capacidade nacional para processar as informações. Infraestrutura é política pública e precisa ser tratada como prioridade se o Brasil quiser liderar a agenda climática com consistência. 

A tecnologia está pronta. A pergunta é se a infraestrutura que a sustenta estará à altura do desafio. 

 

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