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Mata Atlântica e tecnologia: iniciativas de monitoramento e restauração

A Mata Atlântica é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal natural: restam apenas 31% da sua extensão original. Segundo o MapBiomas, nos últimos cinco anos uma média de 190 mil hectares de floresta foram desmatados por ano no bioma. Os dados mais recentes do INPE, atualizados em março de 2026 pelo programa Prodes, apontam uma queda de 37,9% na supressão de vegetação em 2024 em relação ao ano anterior — um sinal positivo, mas que exige cautela. No primeiro trimestre de 2025, o Sistema de Alertas de Desmatamento da SOS Mata Atlântica registrou nova redução de 42%, porém alertou que tendências de queda em trimestres anteriores já foram revertidas ao longo do mesmo ano. 

Em 2026, a Lei da Mata Atlântica completa 20 anos. O bioma abriga 70% da população brasileira e responde por 80% do PIB nacional. Protegê-lo, portanto, não é só uma questão ecológica, é econômica e social. E é justamente nesse contexto que a tecnologia começa a ocupar um papel cada vez mais relevante. 

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em parceria com a Aliança pela Restauração na Amazônia e a The Nature Conservancy (TNC Brasil), lançou um protocolo inédito de monitoramento via sensoriamento remoto. O documento orienta o uso de imagens de satélite, drones e inteligência artificial para acompanhar projetos de restauração, utilizando ferramentas acessíveis como o MapBiomas e o Google Earth Engine. A ideia é democratizar o acesso ao monitoramento e permitir que gestores, financiadores e comunidades acompanhem a evolução das áreas restauradas com dados objetivos. 

No Rio de Janeiro, a startup franco-brasileira Morfo utiliza drones para semear cápsulas com sementes nativas em áreas de difícil acesso. Um único drone cobre entre 25 e 50 hectares por dia, com capacidade de dispersar até 180 cápsulas por minuto — um ritmo que seria inviável por métodos tradicionais. A empresa já contabiliza 24 projetos no Brasil, incluindo Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado, com 1.500 hectares restaurados e monitoramento contínuo por satélite e drones, gerando relatórios com mais de 40 indicadores ambientais. 

Pesquisadores da USP, por sua vez, desenvolveram métodos que combinam drones com tecnologia LIDAR e imagens hiperespectrais para criar modelos tridimensionais da cobertura florestal. Esses modelos permitem medir altura do dossel e biomassa com alta precisão. Dados esses que são essenciais para avaliar se uma área restaurada está de fato se regenerando ou apenas acumulando vegetação de baixa diversidade. 

Monitorar é fundamental, mas não basta. Os dados coletados por satélites e drones precisam ser verificados, padronizados e registrados de forma que possam ser auditados por terceiros. É aqui que entra a certificação ambiental digital. 

A ONU reconheceu a restauração da Mata Atlântica como uma das 10 Iniciativas de Referência da Década da Restauração de Ecossistemas. Mas para que essa restauração seja mensurável e verificável é preciso integrar as ferramentas de monitoramento com sistemas de registro confiáveis. Drones semeiam. Satélites observam. Sensores medem. Blockchain registra. Nenhuma dessas tecnologias resolve o problema sozinha. Mas juntas, elas começam a formar uma infraestrutura de confiança capaz de transformar compromissos em evidências. 

A Mata Atlântica pode ser o primeiro bioma brasileiro a alcançar desmatamento zero até 2030. A tecnologia não vai garantir isso, mas sem ela, a chance é menor.

  

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