2026 vem aí: tendências blockchain e governança ambiental
O ano de 2025 terminou com a COP30 em Belém, colocando a Amazônia no centro do debate climático global. 2026 começa com uma pergunta: o que vem depois das promessas? A resposta passa, em boa medida, pela capacidade de transformar compromissos em sistemas verificáveis. E é aí que acreditamos que a tecnologia entra em cena.
Regulação do mercado de carbono ganha tração
O Brasil avançou na estruturação do seu mercado regulado de carbono, e 2026 deve ser o ano em que as regras começam a se traduzir em infraestrutura operacional. Isso significa registros digitais, sistemas de rastreabilidade e mecanismos para evitar a dupla contagem. Blockchain desponta como peça central dessa arquitetura, oferecendo trilhas de auditoria transparentes e resistentes a manipulação.
Redes públicas ganham escala
Iniciativas como a Rede Blockchain Brasil (RBB) e o Projeto Ilíada amadureceram nos últimos anos e, em 2026, a expectativa é que mais instituições públicas passem a utilizar essa infraestrutura compartilhada para aplicações que vão além do setor financeiro: certificação de documentos, rastreabilidade de cadeias produtivas e governança ambiental. A lógica é simples: se o dado precisa ser público e auditável, faz sentido usar uma rede pública e auditável.
IoT e IA se integram à cadeia de confiança
Sensores no campo, satélites em órbita, algoritmos processando imagens. Tudo isso já existe! O que 2026 promete é uma integração mais robusta entre essas camadas. Dados coletados por dispositivos certificados, validados por inteligência artificial e registrados em blockchain formam o que especialistas chamam de “trivergência”. O resultado é um sistema de monitoramento, relato e verificação (MRV) que não depende apenas de declarações, mas de evidências.
Tokenização de ativos ambientais amadurece
Créditos de carbono tokenizados deixam de ser experimento e começam a operar em escala. Isso serve para outros ativos: estoques de vegetação nativa, serviços ecossistêmicos, biodiversidade certificada. A tokenização permite fracionamento, liquidez e rastreabilidade. Mas também exige padrões claros e governança sólida para não virar mais uma promessa vazia.
COP31 na Turquia: pressão por implementação
Em novembro, os olhos do mundo se voltam para Antalya. A COP31 acontece sob a presidência de negociações da Austrália, com foco especial no Pacífico e nos países mais vulneráveis. Será que o Brasil chega com o dever de casa feito? A expectativa é que a conferência cobre resultados concretos, não apenas novas metas. Tecnologia de verificação será, mais uma vez, tema central.
O que isso significa na prática
Para quem trabalha na interseção entre tecnologia e meio ambiente, 2026 é um ano de consolidação. As peças estão posicionadas: redes públicas operacionais, regulação em movimento, ferramentas de monitoramento cada vez mais sofisticadas. O desafio agora é fazer tudo funcionar de maneira sincronizada, de forma que os dados falem por si e os compromissos possam ser cobrados com base em evidências.
O ano promete menos anúncios e mais implementação. E isso, no fundo, é o que sempre se esperou.