Dia: 21 de janeiro de 2026

Glossário climático-tech: 10 termos essenciais para acompanhar o debate

Conferências climáticas, relatórios técnicos e notícias sobre sustentabilidade estão repletos de siglas e conceitos que nem sempre são explicados. Para quem quer acompanhar o debate sem se perder no jargão, reunimos dez termos que aparecem com frequência quando tecnologia e clima se encontram.

  1. MRV (Monitoramento, Relato e Verificação):
    O tripé que sustenta qualquer compromisso ambiental sério. Monitorar significa coletar dados sobre emissões, uso do solo ou conservação. Relatar é transformar esses dados em informações acessíveis. Verificar é garantir que o que foi relatado corresponde à realidade. Sem MRV robusto, metas climáticas viram declarações de intenção.
  2. NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada):
    São os compromissos climáticos que cada país apresenta no âmbito do Acordo de Paris. Cada nação define suas próprias metas de redução de emissões e adaptação, revisando-as periodicamente. A credibilidade das NDCs depende diretamente da capacidade de monitorar e verificar seu cumprimento.
  3. Blockchain:
    Uma tecnologia de registro distribuído onde informações são armazenadas em blocos encadeados, validados por múltiplos participantes. Uma vez registrado, o dado não pode ser alterado sem deixar rastro. No contexto ambiental, serve para criar trilhas de auditoria confiáveis para créditos de carbono, certificações e cadeias de custódia.
  4. Tokenização:
    O processo de representar um ativo real como um token digital em blockchain. Um crédito de carbono tokenizado, por exemplo, pode ser fracionado, transferido e rastreado com facilidade. A tokenização promete dar liquidez e transparência a mercados ambientais, mas exige padrões claros para funcionar.
  5. IoT (Internet das Coisas):
    Rede de dispositivos físicos como sensores, medidores, câmeras, conectados à internet e capazes de coletar e transmitir dados automaticamente. No contexto climático, sensores IoT monitoram qualidade do ar, umidade do solo, níveis de água e focos de calor, alimentando sistemas de gestão ambiental em tempo real.
  6. Oráculo:
    No universo blockchain, oráculos são mecanismos que trazem dados do mundo externo para dentro da rede. O “problema do oráculo” é garantir que esses dados sejam confiáveis na origem. De nada adianta um registro imutável se a informação que entra já está errada.
  7. Smart Contract (Contrato Inteligente):
    São programas autoexecutáveis que rodam em blockchain. Quando condições predefinidas são atendidas, o contrato executa ações automaticamente, como liberar um pagamento. Em programas ambientais, smart contracts podem automatizar a remuneração por serviços ecossistêmicos assim que sensores confirmam a preservação de uma área.
  8. Greenwashing:
    A prática de transmitir uma imagem ambientalmente responsável sem lastro real. Empresas ou países podem inflar resultados, usar metodologias frágeis ou simplesmente mentir. Tecnologias de verificação existem justamente para dificultar o greenwashing, tornando alegações auditáveis.
  9. Crédito de Carbono:
    Um certificado que representa a redução ou remoção de uma tonelada de CO₂ equivalente da atmosfera. Pode ser gerado por projetos de reflorestamento, energia renovável ou conservação florestal. Créditos são comprados por empresas ou governos para compensar suas próprias emissões.
  10. Dupla Contagem:
    O erro (ou fraude) de contabilizar a mesma redução de emissões mais de uma vez. Isso pode acontecer quando um crédito de carbono é vendido para uma empresa e, ao mesmo tempo, contabilizado na meta nacional do país onde o projeto está. Sistemas de registro em blockchain ajudam a evitar esse problema ao criar identificadores únicos e rastreáveis.

Por que isso importa?

Esses termos não são apenas jargão técnico. Eles descrevem as engrenagens de um sistema em construção que pretende transformar promessas climáticas em resultados verificáveis. Conhecer o vocabulário é um dos primeiros passos para participar do debate e cobrar consistência de quem assume compromissos.

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Comitê de Compensação Ambiental Federal destina R$433 milhões para Unidades de Conservação

O Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) aprovou a destinação de R$ 433 milhões para o fortalecimento de Unidades de Conservação federais, conforme divulgado pelo Ibama em 2026. A decisão representa um dos maiores aportes recentes de recursos voltados à compensação ambiental no país.

Os valores têm origem em processos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto e serão aplicados em ações voltadas à estruturação, implementação e gestão das Unidades de Conservação, instrumento central da política ambiental brasileira.

A compensação ambiental é um mecanismo previsto na legislação que busca equilibrar impactos inevitáveis de grandes empreendimentos, direcionando recursos para a conservação da biodiversidade, a proteção de ecossistemas e o fortalecimento da gestão territorial.

Financiamento ambiental e governança

A decisão do Comitê ocorre em um contexto em que a governança ambiental e a efetividade na aplicação de recursos públicos e privados ganham cada vez mais atenção. A alocação de valores dessa magnitude reforça a importância de critérios técnicos claros, planejamento estratégico e mecanismos de acompanhamento que garantam que os recursos resultem em benefícios concretos para as áreas protegidas.

Além do impacto direto nas Unidades de Conservação, a medida também reacende o debate sobre transparência, rastreabilidade e controle na execução da compensação ambiental, especialmente diante da complexidade dos projetos e da diversidade de territórios envolvidos.

Papel das Unidades de Conservação

As Unidades de Conservação desempenham papel fundamental na preservação da biodiversidade, na mitigação das mudanças climáticas e na oferta de serviços ecossistêmicos essenciais. Investimentos dessa natureza contribuem para ampliar a capacidade de gestão dessas áreas, apoiar ações de proteção, infraestrutura e planejamento, e fortalecer políticas públicas ambientais de longo prazo.

Segundo o Ibama, a destinação dos recursos segue as diretrizes do Comitê de Compensação Ambiental Federal e integra os esforços para consolidar a conservação ambiental como eixo estruturante do desenvolvimento sustentável no Brasil.

Fonte: IBAMA

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