Autor: Caroline Fontella

Novas fronteiras da gestão hídrica na ciência e na tecnologia

No Mês da Água, a discussão sobre a preservação dos recursos hídricos no Brasil precisa evoluir para além da conscientização superficial. Como pesquisadores e desenvolvedores, devemos encarar a água não como um recurso isolado, mas como o vetor crítico de um sistema complexo acoplado. O planeta enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, onde o conceito de “limites planetários” demonstra que várias fronteiras ecológicas já foram ultrapassadas. Nesse cenário, a gestão hídrica brasileira exige uma infraestrutura capaz de lidar com a incerteza intrínseca aos sistemas naturais e industriais.

Entendendo o Nexus Água-Energia-Alimento como um Sistema Acoplado

A gestão hídrica moderna pode ser compreendida através da lente do Nexus Água-Energia-Alimento. Esses três domínios não são independentes; eles formam um sistema cujas interações produzem propriedades emergentes e feedbacks não lineares. A água necessária para a produção de energia hidrelétrica é a mesma exigida para a irrigação em larga escala e para o consumo industrial e humano. Quando um subsistema entra em estresse, a instabilidade se propaga por todo o nexo.

Tradicionalmente, a gestão desses recursos é feita de forma silenciada, resultando em ineficiências decisórias e conflitos entre stakeholders causados pela assimetria de informações. Para transformar essa realidade, precisamos de uma infraestrutura de dados que atue como a “espinha dorsal” do Nexus, permitindo que a informação flua entre os setores com integridade garantida. O desafio central não é mais obter informação, mas garantir sua rastreabilidade e legitimidade sem comprometer a capacidade de agir em tempo hábil.

Entropia da Informação e o Ruído Metrológico

Em sistemas complexos, a informação é a medida da desordem ou incerteza, muitas vezes descrita através do conceito de entropia. Na gestão ambiental, enfrentamos um paradoxo: quanto mais dados acumulamos de sensores IoT e relatórios fragmentados, maior parece ser a incerteza sistêmica. Isso ocorre porque a maioria desses dados carece de rigor metrológico, resultando em um “ruído” informacional que inviabiliza a modelagem preditiva de alta fidelidade.

Para reduzir essa entropia, a abordagem de P&D da Ecossis foca na redução da incerteza na origem. Estamos aplicando, junto a pesquisadores do INMETRO, os princípios da metrologia científica à validação de indicadores ambientais. A premissa é simples, mas profunda: dados ambientais precisam ser tratados com o mesmo rigor que medições industriais sob controle legal. Ao garantir a rastreabilidade das medições e a confiabilidade dos dados desde o sensor, filtramos o ruído e reduzimos a entropia do sistema, permitindo que algoritmos de Inteligência Artificial identifiquem padrões reais de escassez ou contaminação.

IoT e Criptografia: Filtrando Ruídos e Sinais

A implementação técnica dessa redução de incerteza utiliza o modelo de Device-as-a-Service (DaaS), onde dispositivos de monitoramento não são meras ferramentas de coleta, mas agentes de confiança metrológica. No ecossistema desenvolvido, utilizamos módulos criptográficos integrados diretamente ao hardware (como Raspberry Pi operando em camadas de aplicação segura) para autenticar cada registro de dado.

  • Assinaturas Digitais (ECDSA): Cada dispositivo gera assinaturas únicas para cada dado coletado, utilizando a curva elíptica NIST P-256.
  • Identidade do Dado: Essa assinatura assegura que a informação sobre o fluxo hídrico ou a qualidade do efluente possua uma proveniência verificável, evitando adulterações e garantindo o não-repúdio.
  • Integridade na Borda: Ao realizar a validação criptográfica na origem, garantimos a “pureza do sinal” antes que ele seja processado por modelos de IA ou registrado em redes distribuídas.

Essa arquitetura é fundamental para a governança do Nexus, pois permite que o “vetor água” seja rastreado com precisão metrológica enquanto atravessa as fronteiras entre energia e agricultura.

Blockchain como Integrador de Confiança Sistêmica

Para gerenciar a complexidade de um sistema acoplado, precisamos de um registro compartilhado que seja imutável e transparente. A utilização de blockchains permissionadas, especificamente o Hyperledger Besu, oferece a infraestrutura necessária para suportar o throughput de transações de redes IoT industriais.

Nossa solução adota um modelo híbrido de armazenamento (on-chain/off-chain) para conciliar segurança e escalabilidade. Esse arranjo permite a criação de Smart Contracts que automatizam a governança adaptativa. Em um cenário de Nexus, contratos inteligentes podem ser programados para gerenciar o compartilhamento de água: se a incerteza metrológica sobre o nível de um reservatório é reduzida e um limite crítico é atingido, o sistema pode automatizar gatilhos de conformidade ou ajustes operacionais em tempo real.

Impactos: Transparência e Resiliência do Sistema

A integração dessas tecnologias transforma a gestão de recursos hídricos no Brasil de um monitoramento passivo para uma governança resiliente baseada em evidências. Ao reduzir a incerteza e garantir a integridade do dado, geramos impactos positivos profundos:

  • Combate ao Greenwashing: A conformidade regulatória e a validação de créditos ambientais tornam-se inquestionáveis, pois dependem de dados com proveniência verificável.
  • Eficiência Decisória: Governos e empresas podem agir preventivamente sobre o Nexus Água-Energia-Alimento, utilizando modelos preditivos de IA alimentados por sinais limpos e auditáveis.
  • Inclusão e Democracia Hídrica: A confiança distribuída favorece uma governança mais equitativa, permitindo que múltiplos atores acessem uma base de dados única e fidedigna.
Conclusão: A Evolução para a Inteligência Ambiental

A trajetória da Ecossis, marcada por duas décadas de atuação na interface entre infraestrutura e regulação, culmina hoje em uma abordagem de inteligência ambiental que transcende a consultoria tradicional. Ao tratar a gestão hídrica como um sistema complexo e aplicar o rigor da metrologia científica para reduzir a entropia informacional, estamos construindo a infraestrutura necessária para o futuro da indústria verde.

O Brasil tem a oportunidade de liderar o debate global sobre Digital MRV e ecossistemas de dados industriais, exportando não apenas recursos naturais, mas tecnologia de confiança para a sustentabilidade. Neste Mês da Água, reafirmamos que o caminho para a preservação passa pela ciência, pela integridade dos dados e pela coragem de modelar a complexidade com precisão.

Se você deseja aprofundar-se nas especificações técnicas do nosso chaincode ou nos resultados de desempenho da rede Hyperledger sob condições de estresse, entre em contato com nossa equipe técnica.

 

Leia mais notícias aqui. 

Read Blog Detail

Ecossis cumpre agenda institucional em Brasília e acompanha assembleia da P&D Brasil

A Ecossis Soluções Ambientais esteve em Brasília entre segunda e terça-feira (23 e 24/03), em uma agenda voltada ao acompanhamento de iniciativas estratégicas de inovação no país.

Durante a passagem pela capital federal, o diretor Gustavo Duval Leite se reuniu com representantes de instituições como Finep, BNDES e Embrapii, ampliando o diálogo sobre desenvolvimento tecnológico e inovação aplicada ao setor ambiental.

O executivo também acompanhou a 15ª Assembleia Geral Ordinária da Associação P&D Brasil, que reuniu lideranças da indústria, governo e academia em torno de temas como políticas públicas, soberania tecnológica e investimentos em inovação.

A agenda contribui para orientar a visão da Ecossis para os próximos anos, conectando esses movimentos ao posicionamento da empresa diante das transformações tecnológicas e da política industrial no país, em alinhamento com sua atuação internacional, incluindo a participação na Hannover Messe, na Alemanha, em abril.

“Estar presente em ambientes como esse é importante para acompanhar de perto essas discussões e entender como traduzir essas agendas em soluções práticas para o mercado”, afirma Gustavo Duval Leite.

Gustavo Leite com Edinaldo de Sousa e Rosilda Prates, da P&D Brasil

Leia mais notícias aqui.

Read Blog Detail

Consciência climática na era digital: A camada de confiança que faltava

Para quem acompanha a evolução da inteligência ambiental, o diagnóstico é nítido: não nos falta volume de dados, falta-nos a infraestrutura de confiança para validá-los. O mercado global já superou a fase das intenções e entrou na fase da implementação rigorosa, onde o valor de um ativo ambiental está diretamente ligado à sua capacidade de ser auditado em tempo real. 

O grande salto que estamos dando agora não é apenas tecnológico, mas conceitual. Quando falamos em ampliar a mensagem climática através da tecnologia, estamos falando sobre a criação de uma “verdade compartilhada” entre indústria, reguladores e sociedade. 

A Metrologia como Base da Governança: A inovação central de sistemas como o Oikos Intelligence reside em trazer o rigor da metrologia científica para o campo ambiental. Ao contrário do modelo tradicional, onde a gestão é tratada como um processo administrativo, nossa abordagem trata cada indicador como uma medição industrial crítica. Isso transforma a consciência climática em um ativo tangível: a informação deixa de ser uma promessa em um PDF e passa a ser um dado verificado por assinaturas digitais (ECDSA) direto na fonte. 

Além do Buzzword: O Debate Global em Hannover 

Essa maturidade tecnológica é o que define o novo posicionamento brasileiro no cenário internacional. Em fóruns de alta densidade industrial como o de Hannover, a discussão já não é mais sobre consultoria, mas sobre Ecossistemas de Dados Industriais e MRV Digital. Estamos apresentando ao mundo que a inteligência ambiental brasileira é capaz de fornecer a “infraestrutura de dados” que as cadeias globais exigem para cumprir normas como o CBAM e o EUDR. Ao final, a tecnologia amplia a mensagem climática ao torná-la inquestionável. Estamos construindo um sistema onde a sustentabilidade é medida, provada e recompensada com base na ciência. 

Estamos nos aproximando de grandes eventos para a Ecossis como empresa e para nosso posicionamento global! 

Fique ligada e ligado em nossas redes para acompanhar todas as notícias!

 

Leia mais notícias aqui.

Read Blog Detail

Estado da arte no uso da IA para previsão de secas e enchentes

Vamos aproveitar para explorar como a inteligência artificial (IA) está redefinindo a resiliência climática no Brasil. Enquanto o mundo volta seus olhos para as inovações industriais em fóruns como o de Hannover, o cenário brasileiro se destaca pela aplicação de tecnologias de ponta para enfrentar um dos nossos maiores desafios: a previsão de eventos hidrológicos extremos.

O Brasil enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, onde a frequência de secas severas e enchentes devastadoras exige respostas coordenadas e tecnologicamente avançadas. No entanto, a eficácia de qualquer modelo de inteligência artificial depende da qualidade dos dados que o alimentam. O “estado da arte” na previsão climática não se resume a algoritmos complexos, mas sim à integridade da infraestrutura de dados que sustenta esses modelos.

Para os profissionais que acompanham a Ecossis, é evidente que a IA não pode operar sobre informações fragmentadas ou não verificáveis. A nossa contribuição para este campo, através do ecossisistema Oikos Intelligence, é garantir que os modelos preditivos sejam alimentados por dados com rigor metrológico.

Para isso, buscamos integrar

Validação na Origem, através de dispositivos de medição remotos (IoT) com assinaturas digitais no momento da coleta;

Confiabilidade Científica; e

Transparência nas Cadeias, ao transformar a gestão ambiental em infraestrutura de dados confiáveis para o compliance regulatório global.

A integração entre IA e Blockchain permite o que chamamos de governança programável. Essa abordagem elimina a dependência de relatórios manuais e “PDFs”, evoluindo para um sistema onde a tomada de decisão é baseada em evidências digitais.

Reforçamos que a tecnologia deve ser o braço direito da preservação.

Se você também acredita que devemos operar dentro dos limites planetários, utilizando a ciência para prever, proteger e prosperar com os recursos naturais, siga conosco nessa transformação!

 

Leia mais notícias aqui.

Read Blog Detail

Ecossis realiza levantamento de fauna para obras de saneamento

Entre os dias 16 e 18 de março, a Ecossis Soluções Ambientais realizou atividades de campo para levantamento de fauna no município de Laranjeiras do Sul, no estado do Paraná.
A campanha contemplou quatro grupos faunísticos, sendo eles mastofauna, herpetofauna, avifauna e himenópteros, com o objetivo de subsidiar as obras de ampliação da ETE Invernada e o prolongamento do emissário.

O levantamento é uma etapa essencial do processo de licenciamento ambiental, permitindo a identificação de espécies presentes na área e a avaliação dos possíveis impactos decorrentes da implantação das obras. A partir desses dados, é possível definir medidas mitigadoras e garantir a execução do empreendimento em conformidade com a legislação ambiental. Participaram das atividades as profissionais Emanuele Chaia, Geovana Paluski e Josélia Granado, fiscal da Sanepar.

A atuação da Ecossis reforça seu compromisso com a qualidade técnica dos estudos ambientais e com o desenvolvimento sustentável de projetos de infraestrutura no setor de saneamento.

 

 

  

 

 

 

Leia mais notícias aqui. 

 

Read Blog Detail

Ecossis marca presença South Summit Brazil 2026

Nesta semana, Gustavo Leite, diretor executivo da Ecossis, acompanhou o South Summit Brazil 2026, um dos principais encontros de inovação e tecnologia da América Latina, em Porto Alegre, que teve como tema central “Human by Design”.

O evento reforça o desafio de conectar inovação à aplicação prática — especialmente em áreas que exigem confiança, governança e decisões consistentes, como a gestão ambiental.

“Na Ecossis, tecnologia e inovação estão diretamente conectadas à entrega de soluções ambientais que apoiam empresas e projetos com consistência técnica, visão de longo prazo e segurança na tomada de decisão”, destaca o diretor.

Em abril, a Ecossis estará na Hannover Messe, conectando essa leitura a uma atuação baseada em experiência prática, inovação e inteligência aplicada.

 

 

Leia mais notícias aqui.

 

Read Blog Detail

Dia da Terra 2026: tecnologia como aliada?

O Dia da Terra completou 56 anos neste 22 de abril com o tema “Our Power, Our Planet” — nosso poder, nosso planeta. A mensagem é: a mudança ambiental não depende de um único governo ou eleição, mas da ação cotidiana de comunidades, educadores, trabalhadores e famílias. É uma mensagem bonita. Mas cabe perguntar: e a tecnologia? Ela está, de fato, ajudando?

O fato é que não faltam promessas. Blockchain para rastrear cadeias produtivas. Inteligência artificial para prever desmatamento. Sensores IoT para monitorar qualidade do ar e da água em tempo real. Satélites que enxergam a Terra com resolução de metros. O arsenal tecnológico disponível em 2026 é incomparavelmente maior do que o que existia em 1970, quando o senador Gaylord Nelson convocou a primeira manifestação ambiental em massa nos Estados Unidos.

Mas os resultados não acompanham o ritmo dos anúncios. O relatório State of Climate Action 2025, publicado pelo World Resources Institute, avaliou 45 indicadores de progresso climático e concluiu que nenhum deles está no ritmo necessário para cumprir a meta de 1,5°C do Acordo de Paris. Nenhum. Enquanto isso, o setor de climate tech vive o que analistas chamam de transição do hype para a execução, ou seja, menos manchetes dramáticas, mais testes de viabilidade.

Podemos dizer que há avanços reais, e seria injusto ignorá-los. A energia solar e eólica respondeu por 30% da eletricidade da União Europeia em 2025, superando pela primeira vez a geração por combustíveis fósseis. A China instalou mais de 300 gigawatts de capacidade renovável em um único ano, que é o equivalente a cerca de 300 usinas nucleares. Baterias de sódio-íon começaram a ser fabricadas em escala, prometendo armazenamento mais barato e menos dependente de minerais críticos.

No campo do monitoramento, sistemas que combinam sensores, IA e registros em blockchain já operam em projetos-piloto de certificação ambiental e rastreabilidade de créditos de carbono.

O problema raramente é técnico. É de governança, de incentivo e de escala. Ferramentas sofisticadas de monitoramento existem, mas dependem de políticas públicas que as adotem. Blockchain garante imutabilidade de dados, mas não garante que os dados sejam coletados corretamente na origem. A IA prevê cenários com precisão crescente, mas decisões continuam sendo tomadas com base em interesses de curto prazo.

E há um elefante na sala: a própria infraestrutura digital que sustenta essas soluções consome energia em volumes crescentes. Data centers de grande escala exigem potência equivalente à de uma usina nuclear inteira. A tecnologia que promete salvar o planeta também contribui para aquecê-lo, um paradoxo que precisa ser enfrentado com honestidade.

O tema do Dia da Terra 2026 acerta ao colocar o poder nas mãos das pessoas. Tecnologia é ferramenta. Potente, sim. Indispensável, provavelmente. Mas insuficiente quando descolada de vontade política, regulação eficaz e participação social.

Neste mês de abril, vale celebrar o que já funciona e cobrar o que ainda não saiu do PowerPoint. Porque a Terra não precisa de mais promessas. Precisa de evidências.

Concorda com nossa reflexão? Queremos saber

Leia mais notícias aqui. 

Read Blog Detail

Pegada de carbono de data centers: o paradoxo da sustentabilidade digital

A inteligência artificial promete ajudar a salvar o planeta. Mas a infraestrutura que a sustenta consome energia como um país inteiro. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo global de eletricidade por data centers deve ultrapassar 1.000 terawatt-hora (TWh) até o final de 2026, que é equivalente ao consumo anual do Japão. Em 2025, a demanda de eletricidade dessas instalações cresceu 17%, um ritmo muito superior aos 3% de crescimento da demanda elétrica global. É o paradoxo da sustentabilidade digital: as mesmas ferramentas que usamos para monitorar desmatamento, rastrear emissões e certificar práticas ambientais dependem de uma infraestrutura que, por si só, acelera o problema climático.

Números que incomodam

O crescimento, infelizmente, não é gradual é exponencial. A Gartner estima que o consumo global de data centers saltará de 448 TWh em 2025 para 980 TWh em 2030. O principal motor dessa escalada são os servidores otimizados para IA, cujo consumo deve quintuplicar no mesmo período, passando de 93 TWh para 432 TWh. Na Irlanda, data centers já respondem por cerca de 21% de toda a eletricidade consumida no país, com projeções de 32% até o final de 2026. Na Virgínia, nos Estados Unidos, a proporção chega a 26%.

Não é só eletricidade. A água também entra na conta. Data centers nos EUA consumiram cerca de 17 bilhões de galões de água em 2023, e a expectativa é que esse número dobre até 2028 nos centros de grande escala. Para resfriar os racks de alta densidade que hoje operam acima de 50 kW (contra 8 kW em 2021), sistemas de refrigeração líquida estão se tornando padrão.

Seria simplista dizer que o setor ignora o problema. Google, Microsoft e Amazon são, coletivamente, os maiores compradores corporativos de energia renovável do mundo. Em 2025, empresas de tecnologia assinaram cerca de 40% de todos os contratos corporativos de compra de energia limpa. A Microsoft firmou um acordo nuclear de 2 GW com a Constellation Energy — o maior da história. O Google alcançou reduções de 30% no consumo energético de seus clusters de IA com avanços em refrigeração líquida.

Mas há um porém. A IEA projeta que até 2030, aproximadamente 40% da energia adicional consumida por data centers ainda virá de fontes fósseis (gás natural e carvão). Em regiões como partes da Ásia, o carvão continua dominando a matriz que alimenta essas instalações. Data centers são um dos poucos setores em que as emissões ainda estão subindo, enquanto outros já caminham na direção oposta.

O que isso tem a ver com sustentabilidade ambiental? Tudo. Quem trabalha com certificação ambiental digital, monitoramento por sensores IoT ou rastreabilidade por blockchain precisa reconhecer que sua própria ferramenta de trabalho tem uma pegada. Isso não invalida a tecnologia, pelo contrário, torna ainda mais urgente a escolha consciente de infraestruturas eficientes e de baixo consumo. Redes blockchain baseadas em proof of authority, como a Hyperledger Besu, consomem uma fração da energia de redes baseadas em proof of work. A escolha da arquitetura importa.

O paradoxo não se resolve negando a tecnologia, mas exigindo que ela se submeta aos mesmos critérios de transparência e responsabilidade que aplica aos outros. Data centers que monitoram emissões alheias precisam, antes de tudo, prestar contas das suas.

Você já havia pensado dessa forma sobre os data centers?

 

Leia mais artigos aqui

Read Blog Detail

Certificação ambiental digital – como funciona e por que importa

Uma empresa afirma que sua operação é sustentável. Outra diz que compensou suas emissões de carbono. Uma terceira garante que seus insumos vêm de cadeias livres de desmatamento. Mas como saber se essas declarações correspondem à realidade? É exatamente esse o problema que a certificação ambiental digital se propõe a resolver. 

O que é, afinal? Certificação ambiental digital é o processo de verificar, registrar e comprovar práticas ambientais usando tecnologias como blockchain, sensores IoT e inteligência artificial, ao invés de depender exclusivamente de auditorias presenciais, relatórios em papel e autodeclarações. O objetivo não é eliminar a figura do auditor ou da certificadora, mas dar a eles ferramentas mais robustas. E, principalmente, criar registros que qualquer pessoa possa verificar de forma independente. 

Como funciona na prática 

O fluxo típico envolve quatro etapas. Primeiro, a coleta de dados: sensores instalados em campo, imagens de satélite ou dispositivos móveis capturam informações sobre qualidade da água, emissões, uso do solo ou destinação de resíduos. Segundo, a verificação: algoritmos de inteligência artificial cruzam esses dados com parâmetros regulatórios ou padrões de certificação, identificando inconsistências antes que um laudo seja emitido. Terceiro, o registro: os dados verificados são gravados em uma rede blockchain, que funciona como um livro-razão distribuído e imutável. Quarto, a emissão do certificado: com base nos registros, é gerado um certificado digital rastreável, que pode ser consultado por reguladores, investidores, consumidores ou parceiros comerciais. 

Esse modelo transforma a certificação de um evento pontual em um processo contínuo de monitoramento e comprovação. 

Três movimentos convergem para tornar o tema urgente. O primeiro é regulatório. O Brasil está estruturando seu mercado de carbono e, no início de 2026, o BNDES lançou um edital de R$ 10 milhões para financiar estudos sobre certificação de créditos de carbono, avaliando explicitamente o uso de blockchain, IA e dados de satélite para modernizar o processo. O edital reconhece que as metodologias internacionais nem sempre se adequam à complexidade dos biomas brasileiros. 

O segundo é de mercado. Investidores e consumidores exigem cada vez mais evidências verificáveis de práticas ESG. Declarações genéricas de sustentabilidade já não bastam e o risco de greenwashing mina a confiança em todo o ecossistema. Certificação digital oferece o que relatórios em PDF não conseguem: rastreabilidade ponta a ponta. 

O terceiro é tecnológico. A convergência entre IoT, IA e blockchain — o que temos chamado de trivergência — já não é conceito de laboratório. Redes como a Hyperledger Besu permitem registros imutáveis com consumo energético baixo. Sensores certificados coletam dados na origem. Contratos inteligentes automatizam verificações. As peças existem; o desafio é integrá-las em fluxos confiáveis e acessíveis. 

Certificar não é só comprovar, é construir confiança 

No fundo, certificação ambiental digital é uma infraestrutura de confiança. Ela permite que um crédito de carbono gerado na Amazônia seja verificável por um investidor em Zurique. Que um laudo de qualidade da água emitido por sensor em Minas Gerais tenha o mesmo peso de uma auditoria presencial. Que compromissos assumidos em conferências climáticas possam ser cobrados com base em dados, não em promessas. 

A tecnologia está pronta. A pergunta é se as instituições públicas e privadas estão dispostas a adotá-la.

Se você trabalha com certificação, já fez ou faz uso de tecnologias desse tipo no seu trabalho? 

 Leia mais artigos aqui;

Read Blog Detail

Ecossis leva ao palco da Hannover Messe o debate sobre confiança em dados ambientais

A participação da Ecossis na Hannover Messe 2026 marcou um movimento estratégico de posicionamento internacional da empresa em uma das principais agendas globais de inovação industrial.
Ao longo dos dias de feira, estivemos inseridos em um contexto relevante para a agenda climática. Durante o evento, Brasil e Alemanha avançaram em um acordo para fortalecer o Fundo Clima, ampliando o financiamento de projetos sustentáveis — um sinal claro das transformações em curso no cenário global.

Nesse ambiente, a Ecossis levou ao centro do debate um tema crítico: a integridade, rastreabilidade e confiabilidade dos dados ambientais.
Um dos momentos de maior destaque foi a apresentação realizada no auditório oficial da feira, ao lado do Inmetro, reforçando a relevância institucional e técnica da iniciativa. Na ocasião, também apresentamos o projeto OIKOS Blockchain no auditório da ApexBrasil, ampliando o alcance da discussão junto a um público estratégico de inovação e negócios.

Desenvolvido pela Ecossis em parceria com o Inmetro, o OIKOS propõe uma infraestrutura baseada em blockchain para registrar, validar e dar transparência a dados ambientais, contribuindo para o combate ao greenwashing e para o fortalecimento da credibilidade de projetos e ativos ambientais.

“Mais do que tecnologia, estamos falando de infraestrutura de confiança — um passo fundamental para conectar sustentabilidade, mercado e regulação em escala global.”
Gustavo Leite, diretor-executivo da Ecossis

A participação na feira consolidou conexões estratégicas com players globais e reforçou o posicionamento da Ecossis como uma empresa brasileira alinhada às demandas do mercado internacional, com foco em dados ambientais, rastreabilidade e inovação aplicada à indústria.
Seguimos avançando na construção de soluções que conectam tecnologia, integridade da informação e tomada de decisão, ampliando nossa presença nos espaços onde o futuro da agenda ambiental está sendo definido.

 

Leia mais notícias aqui.

Read Blog Detail
Exibir perfil do(a) Ecossis Soluções Ambientais no Ariba Discovery Exibir perfil do(a) Ecossis Soluções Ambientais no Ariba Discovery