Autor: Caroline Fontella

Tokenização da biodiversidade: oportunidades e riscos

É possível colocar um preço na natureza? A pergunta não é nova, mas ganhou contornos tecnológicos que a tornam inevitável. Com a ascensão da blockchain, cresce o interesse em tokenizar ativos ambientais: transformar hectares de floresta conservada, populações de espécies protegidas ou serviços ecossistêmicos em unidades digitais que podem ser medidas, registradas, comercializadas e rastreadas. A ideia seduz. Mas merece cautela. 

O que é tokenização da biodiversidade? Tokenizar, no contexto ambiental, significa criar uma representação digital verificável de um resultado positivo para a biodiversidade. Um token pode representar, por exemplo, a restauração de um hectare de mata nativa, o aumento mensurável de uma população de espécies ameaçadas ou a manutenção de um corredor ecológico. Diferente de créditos de carbono, que medem toneladas de CO₂ equivalente, créditos de biodiversidade lidam com sistemas vivos, dinâmicos e difíceis de padronizar. 

A Biodiversity Credit Alliance, organização que trabalha para estruturar esse mercado, define o crédito de biodiversidade como um certificado que representa uma unidade mensurável de resultado positivo para a biodiversidade, baseado em evidências, durável e adicional ao que teria ocorrido sem a intervenção. Em fevereiro de 2025, a base de dados da Bloom Labs já mapeava 53 esquemas de créditos de biodiversidade, entre ativos e em desenvolvimento. Portanto, não é mais teoria. 

O apelo: o déficit global de financiamento para biodiversidade é estimado em cerca de 700 bilhões de dólares por ano. Governos sozinhos não vão cobrir essa conta. A tokenização promete atrair capital privado para a conservação ao oferecer algo que doações não oferecem: rastreabilidade, liquidez e retorno mensurável. 

A União Europeia publicou em 2025 seu roteiro para créditos de natureza, prevendo um marco de certificação até 2027. No Brasil, o BNDES já destinou recursos para estudar a modernização da certificação de créditos ambientais com uso de blockchain e sensoriamento remoto. O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado na COP15, incentiva explicitamente o uso desses instrumentos. Ou seja, há momentum regulatório de fato. 

Além disso, a blockchain traz uma camada de confiança que faltava. Registros imutáveis, contratos inteligentes e transparência auditável por qualquer parte interessada são ferramentas que podem reduzir o risco de greenwashing e aumentar a credibilidade do mercado. 

Uma pergunta incômoda 

Mas a lista de alertas é igualmente robusta. O primeiro risco é metodológico: biodiversidade é complexa demais para caber em uma unidade padronizada. Contar rinocerontes é viável; provar que a saúde de um manguezal melhorou exige linhas de base robustas e dados transparentes. Como alertou o Fórum Econômico Mundial, investidores frequentemente dependem de dados indiretos, como imagens de satélite, que podem confundir uma plantação de eucalipto com uma floresta nativa biodiversa. 

O segundo risco é político: créditos de biodiversidade podem servir de álibi para que empresas e governos substituam ação direta por compra de tokens. Se a tokenização desobriga quem devasta, ela se torna parte do problema, não da solução. 

E há a pergunta de fundo, que nenhuma tecnologia resolve sozinha: estamos prontos para precificar a natureza sem reduzi-la a uma planilha? Povos indígenas e comunidades tradicionais, que protegem a maior parte da biodiversidade do planeta, raramente participam do desenho desses mercados. Tokenizar sem incluí-los não é inovação. Pode ser repetição. 

Pensamos que a tokenização da biodiversidade pode ser uma ferramenta poderosa, se vier acompanhada de governança sólida, metodologias transparentes e participação das comunidades que vivem nos territórios. Sem isso, é só mais uma promessa digital com lastro duvidoso. 

Na Ecossis, acreditamos que a tecnologia só gera valor ambiental quando os dados são confiáveis na origem. Tokenizar sem verificar é como assinar um cheque sem fundo. Se a sua organização quer entender como a certificação digital pode fundamentar esse tipo de iniciativa, vamos conversar. 

 

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Ecossis realiza 2ª campanha de monitoramento de fauna no Reservatório Miringuava

Entre os dias 22 e 29 de abril, a Ecossis realizou a 2ª campanha de monitoramento de fauna no Reservatório Miringuava, localizado em São José dos Pinhais, Paraná.

A atividade contemplou o acompanhamento de diferentes grupos faunísticos, incluindo ictiofauna, avifauna, mastofauna, herpetofauna e abelhas, permitindo uma avaliação integrada da biodiversidade na área de influência do reservatório.

O monitoramento é essencial para identificar a presença e o comportamento das espécies, além de avaliar possíveis impactos ambientais decorrentes da operação do empreendimento. Esses dados subsidiam a definição de medidas de mitigação e garantem o cumprimento das exigências do licenciamento ambiental.

A campanha contou com a participação dos profissionais Adriano Bauer, Ketlyn Bonatto, Lucilene Jacoboski, Luiz Ludwig, Rodrigo Torres, Roberto Cyrino, Fernando Gil e Letícia Graf, que atuaram nas atividades de campo com foco técnico e rigor metodológico.

A atuação da Ecossis reforça seu compromisso com a conservação da biodiversidade e com a execução de projetos ambientais alinhados às melhores práticas e à legislação vigente.

 

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Mata Atlântica e tecnologia: iniciativas de monitoramento e restauração

A Mata Atlântica é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal natural: restam apenas 31% da sua extensão original. Segundo o MapBiomas, nos últimos cinco anos uma média de 190 mil hectares de floresta foram desmatados por ano no bioma. Os dados mais recentes do INPE, atualizados em março de 2026 pelo programa Prodes, apontam uma queda de 37,9% na supressão de vegetação em 2024 em relação ao ano anterior — um sinal positivo, mas que exige cautela. No primeiro trimestre de 2025, o Sistema de Alertas de Desmatamento da SOS Mata Atlântica registrou nova redução de 42%, porém alertou que tendências de queda em trimestres anteriores já foram revertidas ao longo do mesmo ano. 

Em 2026, a Lei da Mata Atlântica completa 20 anos. O bioma abriga 70% da população brasileira e responde por 80% do PIB nacional. Protegê-lo, portanto, não é só uma questão ecológica, é econômica e social. E é justamente nesse contexto que a tecnologia começa a ocupar um papel cada vez mais relevante. 

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em parceria com a Aliança pela Restauração na Amazônia e a The Nature Conservancy (TNC Brasil), lançou um protocolo inédito de monitoramento via sensoriamento remoto. O documento orienta o uso de imagens de satélite, drones e inteligência artificial para acompanhar projetos de restauração, utilizando ferramentas acessíveis como o MapBiomas e o Google Earth Engine. A ideia é democratizar o acesso ao monitoramento e permitir que gestores, financiadores e comunidades acompanhem a evolução das áreas restauradas com dados objetivos. 

No Rio de Janeiro, a startup franco-brasileira Morfo utiliza drones para semear cápsulas com sementes nativas em áreas de difícil acesso. Um único drone cobre entre 25 e 50 hectares por dia, com capacidade de dispersar até 180 cápsulas por minuto — um ritmo que seria inviável por métodos tradicionais. A empresa já contabiliza 24 projetos no Brasil, incluindo Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado, com 1.500 hectares restaurados e monitoramento contínuo por satélite e drones, gerando relatórios com mais de 40 indicadores ambientais. 

Pesquisadores da USP, por sua vez, desenvolveram métodos que combinam drones com tecnologia LIDAR e imagens hiperespectrais para criar modelos tridimensionais da cobertura florestal. Esses modelos permitem medir altura do dossel e biomassa com alta precisão. Dados esses que são essenciais para avaliar se uma área restaurada está de fato se regenerando ou apenas acumulando vegetação de baixa diversidade. 

Monitorar é fundamental, mas não basta. Os dados coletados por satélites e drones precisam ser verificados, padronizados e registrados de forma que possam ser auditados por terceiros. É aqui que entra a certificação ambiental digital. 

A ONU reconheceu a restauração da Mata Atlântica como uma das 10 Iniciativas de Referência da Década da Restauração de Ecossistemas. Mas para que essa restauração seja mensurável e verificável é preciso integrar as ferramentas de monitoramento com sistemas de registro confiáveis. Drones semeiam. Satélites observam. Sensores medem. Blockchain registra. Nenhuma dessas tecnologias resolve o problema sozinha. Mas juntas, elas começam a formar uma infraestrutura de confiança capaz de transformar compromissos em evidências. 

A Mata Atlântica pode ser o primeiro bioma brasileiro a alcançar desmatamento zero até 2030. A tecnologia não vai garantir isso, mas sem ela, a chance é menor.

  

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Ecossis realiza reunião técnica no âmbito dos estudos ambientais da BR-153 TO/GO

No dia 28 de abril de 2026, a Ecossis Soluções Ambientais participou de uma reunião técnica no município de Anápolis, Goiás, com o objetivo de alinhar as atividades de campo relacionadas aos programas e estudos ambientais das obras de ampliação da rodovia BR-153 TO/GO.

O encontro teve como foco o delineamento das ações operacionais e técnicas que serão executadas em campo, assegurando o planejamento adequado das atividades e o cumprimento das exigências ambientais previstas no processo de licenciamento.

Participaram da reunião os profissionais Janaína Rosa, Victor Carvalhido, Roberto Bezerra e Clézio de Almeida.

O alinhamento entre equipe técnica e cliente é uma etapa essencial para garantir a eficiência na execução dos estudos ambientais.

 

 

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